O Contexto das Manifestações
No dia 25 de março de 2026, motociclistas e entregadores realizaram protestos em diversas áreas da Grande São Paulo. As manifestações ocorreram em locais como a Rua Evandro Carlos de Andrade, no Itaim Bibi, onde cerca de 150 pessoas se reuniram, e na Avenida das Comunicações, em Osasco, com aproximadamente 200 manifestantes. O motivo dos protestos foi as novas legislações e regras que afetam o trabalho realizado por aplicativos de entrega e transporte.
Reivindicações dos Motociclistas
As principais reivindicações dos motociclistas incluem um aumento significativo no piso do frete, críticas à Lei Estadual nº 18.105 e ao Projeto de Lei Federal 152, também conhecido como a Lei dos Apps. Além disso, os trabalhadores expressaram sua insatisfação em relação à exigência de exames teóricos obrigatórios implementados pelo Detran-SP em 2026. A categoria acredita que essas mudanças trarão impactos negativos em suas atividades.
Impactos das Novas Regras no Trabalho
Os motociclistas e entregadores afirmam que as novas normas resultam em maiores dificuldades financeiras e complicações para seu trabalho diário. Durante as manifestações, foram realizados buzinaços e paralisações, chamando atenção para os problemas que as regras propostas ocasionariam, como a provável queda na renda e a necessidade de investimentos adicionais em cursos e testes.

A Lei Estadual nº 18.105 Explicada
A Lei Estadual nº 18.105, recentemente sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas, estabelece que as plataformas de entrega devem manter um cadastro atualizado de motociclistas. Este cadastro deve incluir informações sobre o veículo e uma validação por meio de prova de vida digital. A norma também exige que as plataformas utilizem etiquetas de segurança com QR Code ou chip, possibilitando uma verificação facilitada entre entregadores e as empresas. As sanções por descumprimento incluem multas e outras penalidades.
O Projeto de Lei Federal 152
O Projeto de Lei 152, atualmente em tramitação no Congresso, visa regulamentar o trabalho de aplicativos de forma mais clara e justa. Entre suas propostas, o projeto determina um piso mínimo de 8,50 reais por corrida e entrega de curta distância, além de preceitos relacionados ao compartilhamento de contribuições previdenciárias e à transparência sobre os algoritmos das plataformas. Críticos apontam que essa legislação pode elevar os custos para empresas, resultando em um encarecimento dos serviços.
Exames Obrigatórios: Críticas e Controvérsias
Uma das principais polêmicas geradas pela nova regulamentação é a obrigatoriedade de exames teóricos para motofretistas e mototaxistas. Desde a implementação, muitos trabalhadores têm relatado dificuldades em arcar com custos adicionais e a alta taxa de reprovação nos testes, que pode chegar a 60%. Durante o protesto, os manifestantes compartilhavam experiências que ressaltam a falta de suporte e as complicações que a medida trouxe para sua rotina laboral.
Papel da Polícia nas Manifestações
A Polícia Militar acompanhou as manifestações e, até o momento, não registrou incidentes entre os manifestantes e as autoridades. O policiamento se destinou a assegurar tanto a segurança dos manifestantes quanto a fluidez do trânsito durante as atividades. A presença da Polícia foi considerada importante para manter a ordem pública e evitar quaisquer confrontos.
Posição do SindiMoto-SP
O sindicato SindiMoto-SP, que representa os interesses dos motociclistas, declarou a intenção de dialogar com o Detran-SP. Em entrevistas, o sindicato apontou que muitos motofretistas estão recebendo multas por não terem feito o curso exigido, e destacou questões como os altos custos das provas, a perda de renda devido ao tempo afastado e a crescente taxa de reprovação nas avaliações.
Medidas do Governo Federal
Em resposta à crescente pressão e aos protestos da categoria, o governo federal anunciou a criação de um Comitê Interministerial de Monitoramento para supervisionar a implementação do piso mínimo do frete. Este comitê deve também realizar fiscalizações nas empresas e definir novas regras de punição em caso de descumprimento. Assim, as plataformas terão que informar aos clientes a porcentagem do valor que será direcionada a cada agente envolvido.
O Futuro do Transporte por Aplicativos
As novas regulações e as reivindicações dos trabalhadores fazem parte de um debate maior sobre o futuro do transporte e da entrega por aplicativos. À medida que a tecnologia e as demandas do mercado evoluem, é fundamental que as legislações acompanhem essas mudanças, garantindo um equilíbrio entre a lucratividade das empresas e a sustentabilidade das condições de trabalho dos motoristas e entregadores. O resultado desse embate determinará o cenário para as profissões ligadas ao transporte e logística nos anos vindouros.


